Cidades 12 ANOS
Estado aponta falta de documentação e trava projeto do Parque Tecnológico de Marília
Governo de São Paulo confirma que processo iniciado em 2014 está paralisado por falta de documentos, enquanto a área reservada ao projeto foi redirecionada para a área da saúde
11/04/2026 09h06
Por: Redação
Expectativa por polo tecnológico em Marília completa 11 anos e nove meses de entraves burocráticos

A trajetória de Marília rumo à formalização de seu Parque Tecnológico e de Inovação oficial começou sob forte otimismo no segundo semestre de 2014. Naquele período, impulsionado por uma reportagem de circulação nacional que destacava o crescimento exponencial do setor de Tecnologia da Informação (TI) mariliense, o município recebeu a visita do então governador Geraldo Alckmin. 

No saguão do aeroporto municipal, Alckmin autorizou pessoalmente o início dos trâmites para que a cidade se tornasse a 29ª unidade do gênero no Estado, após diálogo direto com o prefeito Vinicius Camarinha. Entretanto, desde aquele encontro até março de 2026, o que se sucedeu foi um longo ciclo de promessas não concretizadas, totalizando 11 anos e nove meses de espera. 

Em posicionamento oficial após demanda da reportagem, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo esclareceu que o pedido de credenciamento do Parque Tecnológico de Marília não teve prosseguimento devido à “ausência do envio da documentação necessária, conforme Decreto nº 60.286/14”. Apesar do travamento burocrático do parque, a pasta estadual ressaltou que o município não está desassistido de infraestrutura tecnológica. 

Atualmente, Marília possui três ambientes credenciados no Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (Spai): o Centro Incubador de Empresas de Marília (CIEM/Univem), o Centro de Inovação do Univem e o Centro de Inovação Tecnológica da Faculdade de Medicina de Marília (CIT-FAMEMA). 

O destino das áreas reservadas

A área originalmente reservada para a instalação do complexo tecnológico, localizada no distrito de Lácio, reflete a mudança de rumos das gestões municipais ao longo da última década. Durante o governo de Daniel Alonso, o espaço foi utilizado inicialmente como uma área para acumula inservíveis e entulhos - inclusive o Município chegou a receber multa da Cetesb por isso - e, mas no final dos 8 anos de gestão, serviu para a realização de rodeios, evento que até então vinha gerando embates judiciais na cidade por conta da resistência de organizações não governamentais de defesa da causa animal. 

Na ocasião, a Justiça acatava embargos de impedimento fundamentados em evidências de maus-tratos aos bovinos e equinos. Recentemente, o terreno recebeu um novo destino institucional e deverá abrigar o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), sob a responsabilidade do atual prefeito Vinicius Camarinha. 

A Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia reforçou que a sua equipe técnica permanece à disposição para orientar a retomada do processo de credenciamento do parque mariliense. Contudo, os dados consolidados do Spai até outubro de 2025 mostram que Marília permanece classificada apenas com membros associados. 

O fortalecimento do empreendedorismo tecnológico local depende agora de uma ação administrativa municipal que vença a barreira documental imposta pelo decreto de 2014. Sem o envio formal dos requisitos, o projeto que prometia integrar a ciência e a indústria regional como ocorre em centros como São José dos Campos e São Carlos continua restrito aos arquivos de intenções, aguardando resolutividade.                                                   (FONTE: Jornal A Cidade)