Quem passa pelas ruas de Marília e das cidades da região ainda encontra, em algumas esquinas e praças, os tradicionais orelhões - símbolos de uma época em que fazer uma ligação exigia ficha ou cartão telefônico.
Mesmo cada vez mais raros, os orelhões ainda resistem nas ruas da microrregião de Marília. Ao todo, 417 telefones públicos seguem instalados nas 13 cidades da região, segundo levantamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Mas a permanência desses equipamentos já tem prazo de validade: a retirada definitiva começa em janeiro em todo o Brasil.
Somente em Marília, ainda existem 199 orelhões em funcionamento. Garça aparece em segundo lugar, com mais de 50 aparelhos espalhados pela cidade. Já na microrregião de Pompéia, restam apenas 18 telefones públicos em operação.
Os municípios de Alvinlândia, Álvaro de Carvalho, Oriente, Lupércio, Quintana, Echaporã, Oscar Bressane, Guaimbê, Júlio Mesquita e Vera Cruz contam, cada um, com cerca de 15 equipamentos ainda ativos.
Apesar do processo de desativação, uma pequena parte dos telefones públicos ainda será mantida até 2028, exclusivamente em municípios onde não existe outra opção de serviço de telefonia. Já nas capitais e nos grandes centros urbanos, a retirada será praticamente total, marcando o fim definitivo dos orelhões na paisagem das grandes cidades.
Na cidade, os tradicionais orelhões ainda persistem em pontos de grande circulação, como no Terminal Rodoviário Interestadual Comendador José Brambilla e na Praça da Bandeira, onde permanecem instalados até que sejam definitivamente retirados.
Criados em 1972, os aparelhos atravessaram gerações e se tornaram parte da paisagem das cidades brasileiras. O modelo em formato de concha, assinado pela arquiteta Chu Ming Silveira, chinesa radicada no Brasil, ganhou projeção internacional e virou referência em design urbano.
Durante décadas, a manutenção dos orelhões foi uma obrigação das concessionárias de telefonia fixa, prevista nos contratos de concessão firmados em 1998, que chegaram ao fim em dezembro de 2025. Com o encerramento desses contratos, o setor passou por uma reestruturação.
A adaptação para o novo modelo, no formato de autorizações de serviço, prevê a retirada gradual dos telefones públicos dentro do plano de modernização das telecomunicações e ampliação do acesso à banda larga no país.
Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o fim do regime de concessão abriu espaço para uma revisão do modelo, com foco em estimular investimentos em infraestrutura digital. Nesse cenário, as operadoras firmaram acordos com o poder público para viabilizar a transição do sistema de telefonia fixa para o regime privado.
A despedida dos orelhões marca não apenas o avanço da tecnologia, mas também a transformação definitiva dos hábitos de comunicação dos brasileiros.
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